Yes / No / Not Given usa a mesma lógica de três vias que você aprendeu em True / False / Not Given — mas direciona para um alvo diferente. TFNG avalia os fatos do texto; YNNG avalia as afirmações do autor. Esta lição ensina a única habilidade extra que a variante exige: separar o que o autor afirma do que ele apenas relata.
Mesma regra, novo alvo
A regra de decisão não muda:
Does the writer's argument confirm this claim, contradict this claim, or stay silent about it?
- The writer asserts it (directly or by clear implication) → YES
- The writer asserts the opposite → NO
- The writer takes no position on it → NOT GIVEN
Tudo do módulo TFNG continua valendo: localize primeiro, julgue pelo significado e não pela correspondência de palavras, exija palavras contraditórias antes de marcar NO, fique atento aos quantificadores. O que muda é de quem é a voz que você está avaliando. YNNG aparece em textos argumentativos — geralmente no Passage 3 — onde o autor tem opiniões, cita opiniões de outras pessoas e discorda de algumas delas. A prova constrói suas armadilhas justamente na diferença entre essas vozes.
Afirmado vs relatado: a distinção central
Leia estas duas frases construídas:
Remote work improves productivity.
Several early studies claimed that remote work improves productivity.
A primeira é o autor afirmando. A segunda é o autor relatando — contando o que outra pessoa disse, sem se comprometer. Se a afirmação a ser julgada for "Remote work increases productivity", o primeiro trecho dá YES; o segundo dá NOT GIVEN, porque o autor não tomou partido. E se a segunda frase continuar "…but these findings have not survived replication", o autor agora está sinalizando dúvida — e uma afirmação creditando a ideia pode até ser NO.
A regra: uma opinião dentro de um quadro de relato pertence à pessoa relatada, não ao autor — até que o autor a endosse ou rejeite.
Então, sua tarefa em cada afirmação YNNG é um cheque de atribuição em dois passos:
- A quem a afirmação atribui a opinião? Normalmente ao autor ("the writer believes…", ou uma afirmação sem atribuição, que por padrão é do autor).
- O autor realmente sustenta essa opinião? Olhe para o quadro ao redor da frase localizada.
Lendo os quadros
Autores sinalizam sua posição com palavras pequenas, fáceis de passar batido. Vale a pena conhecer essa lista fechada, porque elas decidem sua nota:
| Frame | Signal words | O que significa para você |
|---|---|---|
| Neutral report | X claims, argues, suggests, according to, it has been said | Posição do autor: desconhecida. Sozinha → território NOT GIVEN |
| Endorsement | X rightly points out, as X demonstrates, convincingly, indeed | Autor adota a opinião → conta como afirmação do autor |
| Rejection | X claims… however / but this ignores / this view underestimates | Autor se opõe à opinião → o oposto conta como afirmação do autor |
| Hedge | may, might, perhaps, it is possible that, appears to | Autor só admite possibilidade. Uma afirmação de certeza → NOT GIVEN ou NO, não YES |
| Concession | admittedly, of course X, granted — seguido de but… | A posição real do autor vem depois do but. Julgue por essa oração |
O quadro de rejeição é a armadilha clássica. O texto passa três frases elogiando uma teoria — vários matches de palavras-chave para sua busca — e depois a desmonta na quarta. Quem confirma só por palavras responde YES; a posição real do autor é NO. Por isso, o passo de confirmar pelo significado do location discipline manda você ler uma frase além do ponto onde você achou a resposta, especialmente se a próxima frase começa com however, but ou yet.
Hedges são a armadilha silenciosa. Se o autor diz que uma política may have contributed para uma queda, e a afirmação diz que a política caused a queda, o autor não afirmou isso. A força da afirmação faz parte da afirmação.
Microexemplo resolvido
Passage: Some economists insist that automation will eliminate more jobs than it creates. The evidence for this is thinner than its popularity suggests: every previous wave of mechanisation has, within a generation, produced net employment growth.
Statement 1: Automation will destroy more jobs than it creates. → NO. A afirmação é relatada (some economists insist) e depois rejeitada pelo autor (evidence… thinner, além de um contra-argumento). Statement 2: Previous waves of mechanisation eventually increased total employment. → YES. Afirmado diretamente pelo autor, em sua própria voz. Statement 3: The author believes automation should be slowed down. → NOT GIVEN. O autor discute uma previsão; não diz nada sobre o que deveria ser feito.
A Statement 3 mostra o tipo mais comum de NOT GIVEN em YNNG: uma recomendação atribuída a um autor que só fez uma descrição. Descrições, previsões, avaliações e recomendações são tipos diferentes de afirmação — confira se o tipo da afirmação bate com o que o autor realmente produziu.
Procedimento
- As afirmações seguem a ordem do texto, igual ao TFNG.
- Sublinhe quem sustenta a opinião na afirmação ("the writer", "researchers", uma pessoa nomeada) antes de buscar — isso também precisa bater.
- Na frase localizada, leia o quadro: verbo de relato? endosso? um however na frase seguinte?
- Exija oposição explícita antes de marcar NO. Se você está inferindo que o autor "provavelmente não concordaria", é NOT GIVEN.
Seu treino
Quinze minutos, um foco só.
- Abra o Reading 2026-02 Test 1 e encontre o conjunto Yes/No/Not Given (vai estar no texto mais argumentativo). Antes de responder, passe pelos parágrafos relevantes e marque todos os quadros de relato — circule claims, argues, according to, however, may.
- Responda o conjunto. Para cada resposta, escreva A (afirmação do autor) ou R (opinião relatada) ao lado. Qualquer YES em cima de um R sem quadro de endosso é erro — reavalie.
- Confira e classifique cada erro: erro de atribuição, quadro de rejeição perdido ou erro de força (hedge).
- Repita mais tarde na semana com o Reading 2026-04 Test 3.
Quando o cheque de atribuição virar automático, YNNG deixa de ser um tipo de questão separado. Vira TFNG com uma coluna extra na sua cabeça: quem disse, e o autor assinou embaixo?